sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

A cura das feridas sexuais na mulher

 

Nas palavras de Barry Long: “Faz Amor por Amor, só por Amor. E quando estejas a fazer Amor, não esperes mais nada além desse momento. Se o Amor não for suficiente no teu companheiro, deixa de fazê-lo; não faças Amor”.

Para que a mulher possa ter acesso à energia do seu coração, ela deve primeiro curar o seu ventre, curar a ferida ancestral do feminino que existe praticamente em todas as mulheres encarnadas hoje na Terra. Essa ferida é formada por toda a dor acumulada no inconsciente colectivo da humanidade, derivado dos milhares de anos de repressão e utilização indevida da energia feminina.
Temos que começar por curar o nosso ventre para que a Deusa se possa manifestar. E hoje em dia, o ventre das mulheres encontra-se a nível celular impregnado de feridas causadas por séculos de dominação e desonra da Deusa... As nossas relações sexuais não fazem mais do que agravar essa ferida... Temos que começar a pensar que, quem não nos trata com reverência e respeito, não tem direito a entrar dentro de nós.

Ao curar-se, ao toma do seu verdadeiro poder, a mulher está também a ajudar o homem a curar-se, isto vai fazer com que toda a energia que estava bloqueada, através de séculos de encarnações, e cuja repercussão nada mais fez que gerar mais dor e insegurança na Terra, se liberte e se desfaça.


O útero é como um refúgio... um ninho... um centro de Energía e Poder... centro de Vida, de supervivência, o lugar da criação e expansão... Uma mandala de Vida... O útero está conectado ao Útero da Terra... a onde floresce toda a Vida que existe neste planeta... que bate ao compasso dos ventre femininos, numa dança creativa e co-criadora. Ali reside o Poder da Energia Feminina... um poder ancestral e místico.

O papel da mulher mudou desde algumas décadas até hoje, há uma maior integração nas mais diversas funções da vida. Anteriormente cabia-lhe apenas as funções de mãe, esposa, e em muitos casos, ser submissa, que a obrigava a caminhar atrás do seu companheiro. Actualmente há mais entendimento, maior espiritualidade, descobriu-se que não é necessário competir com nada, sendo inegável que, tanto o homem como a mulher têm missões e acções que são complementares. Há o ressurgimento do feminino, que é o Aspecto Feminino de Deus em cada um de nós, porque é necessário afirmar que, além do género, todos temos o Yin e Yang no nosso interior.

Quando a mulher começa a integrar na vida quotidiana a espiritualidade natural, surge um milagre maravilhoso, porque o seu coração abre-se e a magia aparece, então, a mulher torna-se una com a Mãe Natureza, com Pachamama. Falamos carinhosamente do retorno da Deusa para explicar ao Ser, o seu poder construtivo e sensível, uma enorme capacidade de renovação.

Há homens narcisistas, destrutivos e egocêntricos que buscam para a sua gratificação usar as mulheres para ejacularem. Eles fazem-no como forma de libertarem a sua energia, as suas frustrações, e os seus impulsos agressivos. Há mulheres que se expõe por ingenuidade e por inconsciência, porque não conhecem as consequências resultantes desta interacção. A maioria desses encontros sexuais são resultantes da exploração, submissão, menosprezo, rivalidade, desvalorização e maltrato. Ninguém se surpreenderá que, quando uma mulher é violada ou abusada, apresente sequelas e traumas que necessitam de serem curados. Mesmo quando consentido, este tipo de sexualidade (sem amor) apresenta os efeitos que estou a descrever. Há mulheres que não sabem pôr limites, que não cuidam de si, que não são conscientes daquilo que lhes faz dano, especialmente as jovens, que se deixam penetrar indiscriminadamente, consumindo a sua energia vital e menosprezando o seu poder e força criadora.


A matriz é um centro de percepção e tomada de decisões; o lugar energético e sede de vitalidade, bem-estar e ânimo, berço do nosso instinto e força vital, lugar sagrado com o que necessitamos reconectar-nos e ser plenamente conscientes do nosso extraordinário poder e força geradora de vida.

Quando uma mulher tem relações sexuais com homens egoístas, que não a amam, estão a aceitar a ferida sobre o feminino. E a mulher que dá sexo em troca de amor paga um preço: ela acaba por apaixonar-se, porque a sua natureza é amar nas relações sexuais, ela abre-se para receber e depois sente-se vinculada. Tenho visto nas consultas muitas mulheres com feridas sexuais e diferentes sintomas físicos e psicológicos (depressão, insegurança, desvalorização, ansiedade, culpa) porque estiveram com homens narcisistas, ausentes nas relações sexuais, perdidos nas suas fantasias de auto-satisfação. 

A mulher prejudica-se quando actua segundo o padrão masculino da sexualidade superficial desligada do coração. Quando permite que o homem a use para descarregar e aliviar a sua tensão sexual, que acaba por ser um acto sexual que nada mais é do que uma forma de masturbação. Então aquilo que não é bom para ela, tampouco poderá ser bom para ele. Fica-se então ciente que ela traz essa forma desconsiderada de pensar e de agir, que de forma inconsciente, está agredindo a sua alma, a sua parte feminina.


A pélvis é um contentor de energias físicas, emocionais e espirituais. É a zona da criatividade, expressividade, sensualidade. A matriz é depositária de toda a história sexual, tanto as boas como as más experiências eróticas. A pélvis reflecte a sexualidade, a capacidade de enraizarmos e encontrarmos o nosso lugar no mundo. Disfrutar de uma pélvis saudável possibilita a mujer usufruir uma boa sexualidade, e viver de forma natural os seus ciclos femininos. Quando a mulher liberta-se no coração da sua pélvis, a energia fluí e a criatividade solta-se, ela recupera a força, o poder do seu lugar, e começa a integrar o arquétipo da mulher selvagem.

A mulher também agride o seu útero quando ela rejeita os ciclos sagrados femininos e crê que a menstruação é algo desconfortável, que limita ou dificulta o seu ritmo ao actuar num plano de igualdade masculina. Um mulher tem que respeitar-se a si mesma, confiar em si, discernir entre o que lhe faz bem e o que lhe faz mal, e actuar com base nisso. É necessário reconhecer o valor e o sentimento dos ciclos femininos e curar a dor, o medo e os ressentimentos do útero mediante a tomada de consciência e contacto com as feridas sexuais internas.

Quando ela conhece o homem com quem queira envolver-se emocionalmente, pode suceder que a dor emocional que estava acumulada em seu útero venha ao de cima e abrirem-se as feridas. Isto pode apresentar variados sintomas tais como cistite, fungos, inflamações, cancro cervical e outra sintomatologia vaginal e uterina que assinalam a existência de problemas e dificuldades nas relações sexuais. Para ela, esse homem representará todos os que anteriormente lhe criaram dano, e que ao entrar em contacto com ela, trará ao de cima os vestígios das suas feridas emocionais e sexuais.

Caso esse homem esteja no caminho da consciência, que abriu o seu coração e tenha integrado a sua energia feminina, isso facilitará enormemente a drenagem das feridas sexuais e emocionais na mulher, e irá ajudá-la a curar o seu útero. É bom que o homem a veja como uma Deusa, e que ela o abrace numa entrega total. Pois o homem que honra e reverencia o feminino é tudo o que ela necessita para curar essas feridas.

O meu útero não é um lugar para guardar medo ou dor. O meu útero é para criar e dar Luz à Vida...


Fonte: http://www.universoshanti.com/heridas-sexuales-sanacion-del-utero-de-la-mujer/
Tradução e adaptação: Rosa de Vénus (arosadevenus@gmail.com)