domingo, 18 de março de 2018

Untwine: Renascer

A maioria das prácticas de Ascensão nas Escolas de Mistérios têm haver com o renascer. Este não um novo ciclo de morte e reencarnação, mas o renascimento da Alma directamente no mesmo corpo. É um renascer espiritual. Nascer, essencialmente, é a radiação, o raio de Luz enviado da Alma, o qual se densifica e manifesta os corpos e a personalidade (mental, astral, etérico, físico). Nos ciclos de reencarnação na Terra, assim que este raio de Luz é enviado, desde a Alma até o nascer do corpo, existe muita interferência e programação e coloração deste raio de Luz, por circunstâncias tais como os padrões dos pais e a cultura envolventes, etc. Tudo isto nada tem haver com a verdadeira natureza da Alma, já que a filtra, programa e condiciona a personalidade. Assim, as escolas de mistérios têm prácticas de renascimento da Alma, trazendo para baixo a Luz da Alma num ambiente puro, dar-à-luz directamente de Deus, Mãe-Divina, livre dos programas de padrão negativos, criando o espaço para que a presença pura da Alma seja ancorada.

Por esta razão se diz que os iniciados "nascem duas vezes".

A cerimónia primitiva de renascimento baptismal no qual envolve passar o corpo através de um yoni gigante. Aqueles a quem lhes faziam esta cerimónia eram apelidados por 'renascidos'.

Nas sociedades avançadas dos planetas livres do universo, a maioria das raças têm isto integrado de forma natural, tal qual, como termos água nas nossas casas. Eles têm tecnologia espiritual para manifestar corpos com os quais podem facilmente modelar o que quiserem, e quando quiserem. A morte e a reencarnação não existem para eles, eles vivem a existência de acordo com a verdade que são Almas eternas, que nunca nascem e que nunca morrem. Os corpos são as roupagens que usam, os veículos que eles conduzem para navegar nos planos mais inferiores (físico, astral, etc.).

As cerimónias de renascimento estão em sintonia com a natureza e foram codificadas em muitos mitos antigos, especialmente nas culturas da área mediterrânea-oriental (n.t. também designado Próximo Oriente), de tal forma que eles moldaram a fonética e simbolismo da maioria da linguagem indo-europeia modernas. Processo similar também é encontrado em outras culturas. Vou dar alguns exemplos sobre isto abaixo para ter-se uma ideia.

Lembre-se que as palavras e a fonética são sons, e que os sons são a manifestação natural da frequência. O universo é frequência e os sons têm originalmente significado arquetipal, além do que possa ser a associação mental distorcida construída à sua volta pelas culturas modernas. Isto é importante de ser relembrado quando estudamos fonética. Também recordar que o simbolismo está em todo o lado dentro e fora de nós, o Universo é essencialmente simbólico e fractal, e que os símbolos puros são ambos teóricos e prácticos. Também a relembrar que os mitos antigos, os símbolos e as prácticas misteriosas por detrás destes, foram construídos de forma inteligente e tinham vários níveis paralelos de significado. Estou apenas a dar exemplos de significados e interpretações, não uma descodificação completa de todos os aspectos envolvidos.

Vamos começar com o nome de uma Deusa da antiguidade, Har. Harlots foi originalmente a sacerdotisa de Har, e os Haréns eram os seus templos. Estas sacerdotisas faziam cerimónias de renascimento para os alto iniciados. Cabra também foi um nome que se referia a elas e tinha originalmente uma significado positiva. 

Foneticamente, cabra (n.t. bitch em inglês) é quase idêntico a praia (n.t. beach em inglês), e isto não é por acaso. Lembre-se que os nomes das Deusas Afrodite e Morgana, ambos significam 'nascida do mar':
Nascida do mar (n.t. sea em inglês)
Nascida do olhar (n.t. see em inglês)
Nascida do olho ((n.t. eye em inglês)
Nascida de eu (n.t. I em inglês)
Nascida do Eu Sou - a Alma

Em praia (n.t. beach em inglês), também encontramos o porto, foneticamente derivado de Har. Também derivado de Har, temos as palavras harmonia (n.t. harmony em inglês), audição (n.t. hearing em inglês).


Ambos, tanto as cordas vocais como o olho têm a forma da vesica piscis, tal como o yoni (tal como o peixe como veremos abaixo).

Harmonia é também o 4º Raio Divino de Luz com o qual podemos invocar a Chama Violeta e o Fogo Branco de AN. O Raio da Harmonia tem a cor branco-pérola, com tonalidades suaves arco-íris como a madre-pérola, o jade branco ou a opala. A pérola é o rebento da ostra, foneticamente a ostra é Ishtar por causa da sua forma de yoni, então a pérola simboliza o renascimento da Alma.

Também, a palavra colher (n.t. harvest em inglês) vem de Har, colheita de sementes, que podem ser neste contexto o sémen (sea man vindo de harbor). Isto fará mais sentido quando olhamos abaixo os mistérios Eleusianos.

Agora, vamos nos mover para o famoso mito de Ísis e Osíris. Resumindo, Osíris foi morto por Set, desmembrado em 14 pedaços que foram espalhados pela terra. Ísis conseguiu juntar todos os 13 pedaços ficando apenas a faltar um, este último era o falo de Osíris que foi lançado ao rio e engolidos por um peixe. Ísis fez um novo falo de Ouro, juntou todas as peças, e cantou uma música de ressuscitou Osíris.

Isto não é a história literal mas uma alegoria sobre renascer. Uma das chaves principais para compreender os mitos antigos de qualquer cultura, é que eles são alegorias tais como as deidades que representam os aspectos da Alma, ou aspectos do Universo, por exemplo, o plano da criação. Claro que os Deuses e as Deusas também são seres reais e isto expressa uma verdade profunda: aspectos do Universo são entidades conscientes, elas são células do Universo, que é um organismo vivo, tais seres ascendidos são Unos com os arquétipos e qualidades divinas e consciências Universal. Enquanto o mistério se desdobra na nossa vida (mistério é my-story), as qualidades das deidades/divindades se manifestam através de nós, tal qual como fazemos parte do Um, do organismo vivente do Universo. Apenas quando nos lembramos destas verdades, é quando paramos a simplificação excessiva e o mal entendimento dos mitos e começamos a ver alguma verdade neles.

Então, uma forma de compreender este mito é que Osíris é a Alma encarnada como a personalidade. Enquanto encarnada nos planos da personalidade, fica fragmentada pela Anomalia, aqui simbolizada por Set matando-o. Ísis, simboliza aqui, ao mesmo tempo, a Mãe-Divina, o aspecto feminino Universal, e a Deusa e a sacerdotisa fazendo o ritual, é juntar outra vez todos os aspectos da presença da Alma fragmentada ao renascê-la. O falo 'foi engolido por um peixe':

O oval alongado foi em todo o mundo o símbolo da Grande Deusa-Mãe, porque representa os genitais exteriores femininos.

E ela canta uma canção mágica que revive Osíris. Vimos acima associações da Deusa com ouvir (n.t. hearing em inglês), harmonia ((n.t. harmony em inglês), as cordas vocais. Em algumas versões dos mitos, o Deus Sol Ra nasce após este acto, então o sol (n.t. sun em inglês) é o filho (n.t. son em inglês) de Ísis. Foneticamente, todas estas palavras são muito similares: Solar, Sol, Alma (n.t. soul em inglês), Filho (n.t. son em inglês). Canção (n.t. song em inglês). Isto não é por acaso, isto é porque no mito eles são equivalentes. Todos eles simbolizam a geração da Mãe-Divina, o renascer da Alma directamente pelo papel da Deusa por meio do ritual. Também, o novo falo era feito de ouro, ouro é o símbolo clássico da Alma, a cor dourada é como o Filho/Sol/Alma (n.t. Sun/Sol/Soul em inglês), e prácticamente, o ouro tem propriedades cristalinas que ajudam a conectar com a Alma (foneticamente: ouro/gold, deus/god, bom/good).
No mito, o final ocorre com Osíris a permanecer no submundo (aqui simbolizado pelos planos não físicos), e Rá a reinar no mundo (físico) visível. Osíris e Rá são dois aspectos da mesma Alma, Osíris é a Alma que permanece nos planos não físicos, enquanto que Rá é a radiação da Alma que renasceu no mundo físico.

Agora vamos para os antigos mistérios gregos Eleusianos. Estes são baseados no mito da Deusa Perséfone e Deméter, que eram celebradas durante os festivais que ocorriam nos templos de Eleusis durante os equinócios, na Grécia. Resumindo o mito, no equinócio da Primavera, Perséfone é capturada por Hades, o Deus do submundo. No equinócio de Outono, Deméter, a mãe de Perséfone, procura a filha e encontra-a novamente no templo de Eleusis. Eles concordam no compromisso que Perséfone irá viver metade do ano no submundo com Hades e a outra metade do ano na superfície do mundo com Deméter.

Mais uma vez, isto não é literal, é uma alegoria da jornada da Alma. Assim como escrevi nos meus últimos artigos, o equinócio da Primavera é o nascimento da vida no visível mundo físico. No mito, Hades, o submundo, simboliza os planos inferiores, e Perséfone, representa a personalidade (etimologicamente, a palavra personalidade vem de Persephone, por outras palavras, ela simboliza o raio de Luz da Alma encarnada nos planos inferiores, assim, no equinócio da Primavera, ela encarna. Deméter simboliza, ao mesmo tempo, o aspecto feminino Universal da mãe, a sacerdotisa executando o renascimento, e a Alma que se manteve nos planos elevados. No início, ela não consegue encontrar Perséfone, simbolizando que a personalidade e a Alma estão desconectadas. No equinócio de Outono, tal como escrevi antes, a vida volta de novo do plano físico aos planos não físicos. Então, Deméter encontra novamente Perséfone, isto significa que a personalidade e a Alma são reconectadas juntas, neste mito, é o renascimento. Esta é também a razão pela qual se diz que no Outono é a Colheita (n.t. Harvest em inglês). Os iniciantes nos mistérios de Eleusis entram numa gruta sagrada perto do templo de Eleusis, e lá praticavam a cerimonia, saindo com ramos de cevada nas mãos acabados de colher, simbolizando que a colheita havia sido feita. O desfecho deste mito, é que Perséfone passa a viver metade do ano no submundo com Hades, e a outra metade, no mundo com Deméter, que simboliza o iniciado acabado de renascer, que está agora ligado a ambos os mundos, Alma e personalidade, torna-se um canal entre os dois. O símbolo deste canal é a serpente, cobra, a kundalini. A cobra é o canal que conecta as polaridades juntas.


O nome Deméter significa Dea-meter, Dea é a Deusa e meter é medir/contagem. A palavra contar é também foneticamente cona (n.t. cunt em inglês) (que é o yoni, a mesma etimologia de país/country, de onde a vida vegetal nasce, pois Deméter também é a Deusa da agricultura), meter é também matéria que, etimologicamente significa mãe, porque mãe não está morta nem é inconsciente, a matéria e espírito são a mesma coisa, são o Único organismo vivo universal, matéria-espírito são a nossa verdadeira mãe-pai, com quem, como Almas eternas, somos UM. E meter, de contar, também é a geometria e matemática, que significa que a geometria sagrada e a matemática são essenciais ao espírito-matéria, tal como nos foi ensinado pelo iniciado Pitágoras.

Vou terminar com uma citação do Conde de Cagliostro (que foi totalmente iniciado nestes mistérios):

"Não sou de tempo ou lugar algum. Fora do tempo e do espaço, o meu ser espiritual vive a sua eterna existência, e se eu mergulhar nos meus pensamentos indo pelo curso das eras, entendendo o meu espírito num rumo da vida longe daquilo que tu percebes, torno-me no que desejo. Ao participar do Ser Absoluto, regulo as minhas acções de acordo com o ambiente ao meu redor. O nome cabe a mim escolhê-lo, assim como a minha função, porque sou livre. O meu país é aquele onde momentaneamente fixo os meus passos.

Afasta-te de ontem, se desejares, ao te elevares com os anos vividos pelos ancestrais que te foram desconhecidos; ou de amanhã, pelo orgulho ilusório da uma grandeza que talvez nunca seja tua; Sou aquele que é. Como o vento sul, como a luz brilhante do meio-dia, vou na direcção norte, na direcção à neblina e ao frio, abandonando em todos os cantos do caminho algumas parcelas de mim mesmo, desmembrando-se, diminuíndo-me em cada estação, mas levando um pouco de clareza, um pouco de calor, um pouco de força, até finalmente ser parado e fixado definitivamente, no fim da minha carreira, na hora em que a rosa florescerá na cruz."

Vitória da Luz!


Fonte: http://recreatingbalance1.blogspot.pt/2018/03/rebirth.html
Tradução: Rosa de Vénus (arosadevenus@gmail.com)